sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Éden

Uma areia cor de canela sugou meu sangue, água infértil a limpou, jorrando logo após excremento.
Uma mulher em um lado do ovo, como se fosse um canto, em posição de cócoras. Do outro lado um homem. A frente uma qualquer dorme um sono aliviado.
         
         -Vem mais perto. Ele disse e ela foi.
         -Eu quero carinho.

Deu algum carinho sem vontade, ela logo se acoplou na sua costela, refazendo o mito.
Da costela sai você, em um gozo pequeno e desconfortável, para escarnecer.  Uma escolha pueril, um trauma adolescente, ecoa, ecoa, ecoa. Um mundo em a se confunde ao sabor doce e ao mesmo tempo azedo de um morango. Um mundo em o se faz em imaginações orgásticas. Isso é do homem, é o que dizem quando olham para você.

Lustre

Em uma sala de estar se acomodam.
A mesa banhada a óleo reflete
como uma panela pronta para receber seu milho. Os olhos fechados parecem fazer mais jus,
ainda há os que insistem em se olhar nos outros.
A mesa banhada a óleo reflete um teto descascado azul; um lustre, que quando se vê refletido se assusta com seu formato, espaçoso. A água engessada ali, em um formato floral pendurada no teto, não se mistura ao espelho oleoso da mesa de madeira. 
Uma colisão seria estratégica.
Um lustre em um ato falho se desfaz de uma gota
e ela cai.
Se seduzindo ao ar.
Pequenas gotículas se desprendem
e somem, outras se mantém unidas, submissas
ao formato imposto pelo que não se pode ver.
Pela janela a luz da lua humilha todos os súditos . Aquela gota a cair na escuridão, não.
Por trás da fumaça espessa de nuvens
a luz se esconde. E no meio, a gota tamborila o ar,
toca o espelho. A lua diminui reaparecendo,
as cortinas se abrem, em uma fresta se vê a alteridade
e ela grita.