terça-feira, 15 de setembro de 2020

Ira

 cema                    ira                ira                  acema           ira           ira            ira          a


cema         ira              cema              cema         ira         ira         cema             cema  ira

    ira                                                                        cema

ira

                           ira                        ira             acema         ira             ira        ira        ira 

         ira

                                      ira

  acema                                                 ira                                ira              cema          ira 

                ira

ira                         ira                                 ira ira                          ira                  ira       ira




À TERRA NATAL UM FILHO AUSENTE.



PRÓLOGO



Em amargo lar

terra em sangue 

de sua prole

numerosa e ardente

raios e areias

diamantes e geniais

esculpidas

esquecidas aqui


o homem que se recolhe

e um dia brincou abrindo coco

o homem que deita na rede

e espera

não muito distante do seu

não muito distante de você

não muito distante

uma mulher incansável aguarda


abra-me

eu que sou corte

nesse corpo

sangue nas suas mãos

percorra aqui o espírito das

coisas graves

sentirá nesse livre

-inho

amor de onda

aroma silvestre e bravio

de uma pátria que 

envolve ela

agora e sempre

como o infante que olha para a mãe

e vazado no coração

cheio de virgens

o doce embalo da rede,

o vento que crepita na areia

e farfalha nas palmas dos coqueiros

ali é o berço seu

de filho ausente.







Incessante desafeição

falta hospitalidade

falta temer

são essas virtudes primitivas

das auras dos nossos campos

não pode cantar a terra natal de 

rudes filhos

esses pássaros que fazem 

o mal à fruta 

antes de serem colhidas

roubam

do pau

da terra

brasil.































Na última página me encontrará de novo.














































CAPÍTULO I



às verdes esmeraldas nos mares

às alvas praias ensombradas de coqueiros

serenai

para que o barco de brancos

resvale à flor das águas

onde vai a jangada que tira o frescor da terra?

onde vai como que buscando o rochedo pátrio 

nas solidões dos oceanos?

ressoa da praia

um eco vibrante

iracema

  ira cema

     ira cema


o jovem guerreiro no mastro

junto de duas crianças 

filhos da terra selvagem

no jirau

três de infortúnios 

enquanto a lua passeia no céu

enquanto a brisa refresca a paisagem

o que deixara ele na terra de seu exílio?


o barco salta

desaparece entre as ondas

recoa iracema

            ira cema

              ira cema

que te poje numa enseada revolta

a discrição do vento

airoso barco não volva

às terras colonizadas por ti

e te acompanhe as foscas asas

sobre o abismo






CAPÍTULO II



Além

muito além daquela serra

que ainda azula no horizonte

nasceu Iracema

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Queimar de amor

 Queimar de amor


Queimar de amor, mas nunca juntos 

Recortes e pausas, fronteiras que colamos


proibimos 


e trazem consigo um crocodilo fumante, 

um viajante do egito, um pai educado

com livros em casa desconhecendo um opressor 

como cada parte da língua.


Na ponta

o doce da prisão

Memórias das carnes que você comeu

E dos resquícios da colônia.


A língua de contato com raízes 

Este lugar inabitável de opressão doce e cristalina

Mas quando a história de amor se endereça

A língua se entrelaça 


desmancha açúcares.


sábado, 20 de junho de 2020

poderia ter numa caixa inglesa
one cent
two cent
and a human

ó o que veste branco
e no papel escreve
ela cala 
ela escuta

aqui também, se cala
se escuta

o desejo em um pesadelo e
one cent, two cent and a human
um fio terra
220 volts passando 
na minha casa 
na sua casa

na cidade da música se escuta:

mais os 220 volts passando agora silencioso
no chão
na parede e

one cent, two cent and a humam
em uma caixa inglesa
esperando passar a fome.

eu sei onde estou
ela cala
ela escuta
sem engajamento
te corrige para deus do
cu
pau do céu
um pai bem dotado
um pai 
ela cala
ela escuta
o corretor muda suas palavras
o corretor vende suas casas





domingo, 24 de maio de 2020

A relva é mais verde


A relva é mais verde
Que aquele estreito 
Entre a pedra
E o mar
Suposições de algas
A relva é mais verde
Um jacu me olha da janela
Pelo formato pensei ser nossa senhora
Pisquei
Um jacu me olha fora da janela
Você me testa
Respondo rápido suas cenas
Na janela nem jacu
Nem nossa senhora
Espero você voltar
Com aquela missiva
Movimentos de excitação                                                                     https://vimeo.com/421116692
Planejo a mais sexy resposta
A relva é mais verde
Realidade investigativa
Procura no mar
Alô, você me ligou?
Não, deve ter sido sem querer
Cortei o cabelo
Seu cabelo está grande
Quando a gente voltar
Eu vou te fotografar
Eu vou te dar meu livro
Eu vou te guardar comigo
A relva é mais verde
que aquela estreita metrópole
Leio um conto russo
Que falava de um crocodilo
Leio um poema russo
Que falava de uma mulher ciumenta demais
Leio sua mensagem:estou com Tolstoi
Guerra e paz
Escolhemos a conexão
Ler russos
Meu nome russo
seu nome russo é o mesmo
Do jeito russo de ser mais flexível
Mais alta e magra
E bailarina que salta como Osipova
E você com chapéu de russo
E nós dois admirando na mão de Frida o bilhete para trostky
Um bombardeio russo
No seu olhar roxo
A relva é mais verde
Um salto entre sua coxa e a minha
A relva é mais verde
Que aquele estreito 
Entre a pedra
E o mar
Suposições de algas
A relva é mais verde
A relva é mais verde
Realidade investigativa
Procura no mar

Labirintos

Exorciza-se
touch my body
e toques no rosto fazem som nos ossos
a alongado e agudo
um o na boca
saruê aparece, te cumprimenta, bebe água
os mosquitos também
e aquele pernilongo te chupando o sangue, arde e coça
e tudo isso para mim.
no myselfie
conta, que estrela é essa?
ascendente em aquário e lua em gêmeos
guerra no mundo
ira e tudo isso para mim.
vênus em virgem
ouriço na bacurinha
mas na verdade eu só queria dormir
e me espantei com o fogo jogado num homem na calçada
aparecia na tv feito filme e
hipnotizada. essas imagens do mundo acabando
e queima a bandeira, queima.
hipnotizada com ele
que quando vem e eu já penso: já vou, estou indo.
e tá que um fantasma se desfaz, sem artimanhas.
até dormindo é um escarcéu, aparece e diz: vou com você.
rata de biblioteca



___________________


Nunca podemos nos perder
Nunca podemos conhecer as ruas
homens incertos se aproximam
do passado restaram apenas sete minutos de 
hipnose feitos pelo registro da mão
Nunca me perdi por ruas
Pensar as proporções das contruções 
humanas e meu pertecimento 
nelas. Cada vez mais para cima.
Nunca me perdi por ruas
Os labirintos sequestram a percepção
e contornam as sombras das proporções humanas.









domingo, 17 de maio de 2020

Angélica Freitas, na banheira, tomando banho com G. Stein

na banheira com gertrude stein 

gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertude 
stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como 
se alguém passasse um pano molhado na vidraça 
enorme de um edifício público 

gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar 
atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho 
de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas 
mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum 
debaixo d’água eu hein gertrude stein? não é possível 
que alguém goste tanto de fazer bolha 

e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba 
a toalha 

e sai correndo pelada a bunda enorme descendo 
a escada e ganhando as ruas de st.-germain-des-prés




Saiba mais sobre a vida ea obra de Gertrude Stein






a mulher dos outros 


fiquei muito tempo naquela banheira sem água 
pensando por que gertrude me havia deixado 

as unhas roxas os dedos enrugados naquele banheiro 
sem aquecimento num apartamento perto do jardin du 
luxembourg 

sem amor e sem toalha 

ela tem alice e basket eu sou a terceira excluída 

noutros tempos rilke me chamaria pro jardin des 
plantes 

hoje eu digo adeus e vou pra gare du nord 

lou andreas me espera em göttingen plantaremos beijos na 
gänseliesel