cema ira ira acema ira ira ira a
cema ira cema cema ira ira cema cema ira
ira cema
ira
ira ira acema ira ira ira ira
ira
ira
acema ira ira cema ira
ira
ira ira ira ira ira ira ira
À TERRA NATAL UM FILHO AUSENTE.
PRÓLOGO
Em amargo lar
terra em sangue
de sua prole
numerosa e ardente
raios e areias
diamantes e geniais
esculpidas
esquecidas aqui
o homem que se recolhe
e um dia brincou abrindo coco
o homem que deita na rede
e espera
não muito distante do seu
não muito distante de você
não muito distante
uma mulher incansável aguarda
abra-me
eu que sou corte
nesse corpo
sangue nas suas mãos
percorra aqui o espírito das
coisas graves
sentirá nesse livre
-inho
amor de onda
aroma silvestre e bravio
de uma pátria que
envolve ela
agora e sempre
como o infante que olha para a mãe
e vazado no coração
cheio de virgens
o doce embalo da rede,
o vento que crepita na areia
e farfalha nas palmas dos coqueiros
ali é o berço seu
de filho ausente.
Incessante desafeição
falta hospitalidade
falta temer
são essas virtudes primitivas
das auras dos nossos campos
não pode cantar a terra natal de
rudes filhos
esses pássaros que fazem
o mal à fruta
antes de serem colhidas
roubam
do pau
da terra
brasil.
Na última página me encontrará de novo.
CAPÍTULO I
às verdes esmeraldas nos mares
às alvas praias ensombradas de coqueiros
serenai
para que o barco de brancos
resvale à flor das águas
onde vai a jangada que tira o frescor da terra?
onde vai como que buscando o rochedo pátrio
nas solidões dos oceanos?
ressoa da praia
um eco vibrante
iracema
ira cema
ira cema
o jovem guerreiro no mastro
junto de duas crianças
filhos da terra selvagem
no jirau
três de infortúnios
enquanto a lua passeia no céu
enquanto a brisa refresca a paisagem
o que deixara ele na terra de seu exílio?
o barco salta
desaparece entre as ondas
recoa iracema
ira cema
ira cema
que te poje numa enseada revolta
a discrição do vento
airoso barco não volva
às terras colonizadas por ti
e te acompanhe as foscas asas
sobre o abismo
CAPÍTULO II
Além
muito além daquela serra
que ainda azula no horizonte
nasceu Iracema

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