A palavra romântico é de origem inglesa seiscentista, derivada do substantivo francês
romaunt, que designa os romances medievais. A utilização da palavra generalizou-se
para tudo que se referia a atmosfera desses romances. Somente a partir do século XVIII
que Letourner e Rousseau distingue em francês as palavras romantique e romanesque.
E, assim, a palavra passou a ser utilizada em todas as línguas europeias e já no século
XIX se deu início a oposição de romântico a clássico.
romaunt, que designa os romances medievais. A utilização da palavra generalizou-se
para tudo que se referia a atmosfera desses romances. Somente a partir do século XVIII
que Letourner e Rousseau distingue em francês as palavras romantique e romanesque.
E, assim, a palavra passou a ser utilizada em todas as línguas europeias e já no século
XIX se deu início a oposição de romântico a clássico.
Desde então, romantismo tem sido utilizado para designar variados significados com
classificações que podem ser psicológicas, morais, estéticas e até mesmo temáticas.
Uma tendência característica do romantismo é o banimento da mitologia, dos processos
emuladores e eruditos da retórica clássica. Dado o progresso econômico, político e
social do período em que a burguesia ascende e também as consequências da
Revolução Industrial.
classificações que podem ser psicológicas, morais, estéticas e até mesmo temáticas.
Uma tendência característica do romantismo é o banimento da mitologia, dos processos
emuladores e eruditos da retórica clássica. Dado o progresso econômico, político e
social do período em que a burguesia ascende e também as consequências da
Revolução Industrial.
As criações aceleram-se a partir da criação da Imprensa, que multiplica a produção de
tiragens e impressões de livros, também aparecem bibliotecas ambulantes e gabinetes
de leitura que impulsionam o Jornalismo.
tiragens e impressões de livros, também aparecem bibliotecas ambulantes e gabinetes
de leitura que impulsionam o Jornalismo.
O ponto de vista histórico, sociológico e filosófico começa a se impor nesse momento
com um individualismo político que se sobrepõe a derrubada de monarquias absolutistas
e a ascensão de uma ideologia de âmbito burguês, funcionando como uma das
principais facetas para o culto da originalidade literária.
com um individualismo político que se sobrepõe a derrubada de monarquias absolutistas
e a ascensão de uma ideologia de âmbito burguês, funcionando como uma das
principais facetas para o culto da originalidade literária.
As ambientações do romantismo, em geral, são dadas pelas expressões concretas de
imagens e símbolos enraizados em vivências locais. A presença de personagens e uma
descrição mais sensorial caracteriza um estilo declamatório do período. O escritor
romântico se dirige à um público polarizado, tendo por um lado o proletariado e por outro
uma nova burguesia industrial.
imagens e símbolos enraizados em vivências locais. A presença de personagens e uma
descrição mais sensorial caracteriza um estilo declamatório do período. O escritor
romântico se dirige à um público polarizado, tendo por um lado o proletariado e por outro
uma nova burguesia industrial.
Em Portugal, o romantismo inicia-se com a independência econômica do Brasil, as
mobilizações dos bens feudais, da igreja e a polarização entre uma burguesia pequena,
com o surgimento de partidos políticos: o partido cartista, dos proprietários rurais e o
partido setembrista, do artesanato e da pequena burguesia industrial. A iniciação da
nova literatura é uma revolução devido ao fato de constituir uma ruptura com o passado.
Para António José Saraiva e Óscar Lopes a publicação em Paris de Camões de
Almeida Garret, marca o início do romantismo, juntamente com A Voz do Profeta de
Herculano. As influências teóricas alemã, francesa e inglesa são evidenciadas com a
publicação de revistas que demonstram não só a mudança literária, mas também uma
mudança do público, dado o êxito com que foram recebidas essas alterações literárias.
mobilizações dos bens feudais, da igreja e a polarização entre uma burguesia pequena,
com o surgimento de partidos políticos: o partido cartista, dos proprietários rurais e o
partido setembrista, do artesanato e da pequena burguesia industrial. A iniciação da
nova literatura é uma revolução devido ao fato de constituir uma ruptura com o passado.
Para António José Saraiva e Óscar Lopes a publicação em Paris de Camões de
Almeida Garret, marca o início do romantismo, juntamente com A Voz do Profeta de
Herculano. As influências teóricas alemã, francesa e inglesa são evidenciadas com a
publicação de revistas que demonstram não só a mudança literária, mas também uma
mudança do público, dado o êxito com que foram recebidas essas alterações literárias.
Ressalta-se que o momento foi privilegiado no processo de acréscimo das relações
culturais internacionais pela presença de novos meios de comunicação e transporte que
facilitaram o trânsito de ideias, pessoas e informações. Portugal encontra-se um tanto à
margem deste processo por ter sido prejudicado na primeira metade do século XIX, com
a invasão napoleônica e a fuga da família real para o Brasil.
culturais internacionais pela presença de novos meios de comunicação e transporte que
facilitaram o trânsito de ideias, pessoas e informações. Portugal encontra-se um tanto à
margem deste processo por ter sido prejudicado na primeira metade do século XIX, com
a invasão napoleônica e a fuga da família real para o Brasil.
No entanto, mesmo com poucas indústrias e alto nível de analfabetismo, a fermentação
ideológica do romantismo português ocorre em desmesura. A liberdade da imprensa e
o alcance às massas dá aos escritores uma ampla comunicação com os leitores. Com
grupos que se opõem ao predomínio da nova aristocracia e outros representando a
ascensão de posições liberais conservadoras. Assimilando Chateaubriand, o positivismo
de Comte, o evolucionismo darwiniano; e literariamente Proudhon, Michelet, Musset e
Vítor Hugo.
ideológica do romantismo português ocorre em desmesura. A liberdade da imprensa e
o alcance às massas dá aos escritores uma ampla comunicação com os leitores. Com
grupos que se opõem ao predomínio da nova aristocracia e outros representando a
ascensão de posições liberais conservadoras. Assimilando Chateaubriand, o positivismo
de Comte, o evolucionismo darwiniano; e literariamente Proudhon, Michelet, Musset e
Vítor Hugo.
Os embates de diversos grupos e ideologias deu ao romantismo uma ostensiva busca
estilística diversas vezes ousada. Os estudantes de Coimbra: Antero de Quental, Teófilo
Braga e Eça de Queirós; e o grupo fora de Coimbra, com: Oliveira Martins, Adolfo Coelho
e Batalha Reis marcam o embate entre a nova geração que se forma em Coimbra e
literatos lisboetas. Desenrolando-se em diversos campos, nos quais Eça de Queirós
inicia uma crítica a vida portuguesa, sugerindo uma regeneração da aristocracia antiga,
com forte influência proudhoniana e positivista.
estilística diversas vezes ousada. Os estudantes de Coimbra: Antero de Quental, Teófilo
Braga e Eça de Queirós; e o grupo fora de Coimbra, com: Oliveira Martins, Adolfo Coelho
e Batalha Reis marcam o embate entre a nova geração que se forma em Coimbra e
literatos lisboetas. Desenrolando-se em diversos campos, nos quais Eça de Queirós
inicia uma crítica a vida portuguesa, sugerindo uma regeneração da aristocracia antiga,
com forte influência proudhoniana e positivista.
Os primeiros textos de Eça de Queirós foram publicados em folhetins na Gazeta de
Portugal, entre os anos de 1866 e 1867. Os folhetins com que deu início a sua carreira
literária, foram posteriormente reunidos em Prosas Bárbaras, além disso, publicou o
Crime do Padre Amaro e escreveu outros romances, sendo eles: O Primo Basílio, O
Mandarim, A Relíquia, Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires, A Correspondência de
Fradique Mendes, A Cidade e as Serras, A Capital, O Conde d’Abranhos e diversas
obras, incluindo contos, hagiografias, produções jornalísticas e literatura de viagens.
Portugal, entre os anos de 1866 e 1867. Os folhetins com que deu início a sua carreira
literária, foram posteriormente reunidos em Prosas Bárbaras, além disso, publicou o
Crime do Padre Amaro e escreveu outros romances, sendo eles: O Primo Basílio, O
Mandarim, A Relíquia, Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires, A Correspondência de
Fradique Mendes, A Cidade e as Serras, A Capital, O Conde d’Abranhos e diversas
obras, incluindo contos, hagiografias, produções jornalísticas e literatura de viagens.
Em geral, Eça de Queirós, apresenta em seus livros o aristocrata como personagem que
evidencia a substituição da aristocracia para a burguesia. Com a publicação de 12
contos caracterizados pela brevidade narrativa, pela ficcionalidade e o elemento
tensional textual como único núcleo de ação. Eça de Queirós, se coloca como preocupado
com a elite letrada portuguesa, retratando o liberalismo político e econômico, o poder da
igreja sobre Portugal, a distância existente entre o discurso liberal e o anticlerical.
evidencia a substituição da aristocracia para a burguesia. Com a publicação de 12
contos caracterizados pela brevidade narrativa, pela ficcionalidade e o elemento
tensional textual como único núcleo de ação. Eça de Queirós, se coloca como preocupado
com a elite letrada portuguesa, retratando o liberalismo político e econômico, o poder da
igreja sobre Portugal, a distância existente entre o discurso liberal e o anticlerical.
Sendo um grande renovador da literatura apresenta como estratégias literárias sua
adjetivação abundante, sua ironia e sátira, colocando o seu discurso crítico em diversos
pontos de vista, do qual o leitor não pode concluir em qual perspectiva o narrador se
posiciona.
adjetivação abundante, sua ironia e sátira, colocando o seu discurso crítico em diversos
pontos de vista, do qual o leitor não pode concluir em qual perspectiva o narrador se
posiciona.
As relações de Eça de Queirós com seu tempo dá às suas obras uma profunda relação
com mitos históricos, culturais e aspectos do tempo em que está inserido, marcado por
descobertas arqueológicos e explorações linguísticas que demonstram uma
ficcionalização da vida burguesa.
com mitos históricos, culturais e aspectos do tempo em que está inserido, marcado por
descobertas arqueológicos e explorações linguísticas que demonstram uma
ficcionalização da vida burguesa.
Além do mais, suas relações com o franciscanismo são marcadamente assumidas.
Inclusive, dedicou-se ao final da sua vida à escrita de um Dicionário de Milagres que foi
feito somente até a letra B. Também escreveu alguns contos que apresentam sua
preocupação religiosa, dando destaque aqui, ao seu conto Frei Genebro, companheiro
do Santo de Assis, publicado na Gazeta de Notícias do Rio em 1894.
Inclusive, dedicou-se ao final da sua vida à escrita de um Dicionário de Milagres que foi
feito somente até a letra B. Também escreveu alguns contos que apresentam sua
preocupação religiosa, dando destaque aqui, ao seu conto Frei Genebro, companheiro
do Santo de Assis, publicado na Gazeta de Notícias do Rio em 1894.
Tomás de Celano, contemporâneo de São Francisco de Assis, foi quem escreveu as duas
biografias do santo. Na primeira, com um acentuado início fútil e vaidoso, seguido de uma
conversão que o tornou um exemplo diante de Deus. E a segunda acentuada pela sua
ascendência materna, a predestinação do santo e sua perfeição desde o seu nascimento.
São utilizadas por Eça de Queirós as duas tendências que dividiam os franciscanos entre
rigoristas e moderados. A polarização acentuada após sua morte tendeu aos moderados
uma relativa vitória.
biografias do santo. Na primeira, com um acentuado início fútil e vaidoso, seguido de uma
conversão que o tornou um exemplo diante de Deus. E a segunda acentuada pela sua
ascendência materna, a predestinação do santo e sua perfeição desde o seu nascimento.
São utilizadas por Eça de Queirós as duas tendências que dividiam os franciscanos entre
rigoristas e moderados. A polarização acentuada após sua morte tendeu aos moderados
uma relativa vitória.
Frei Genebro, ou Junípero foi um rigorista, no qual Eça de Queirós se apropriou de suas
características caricaturizando seus excessos. A Crônica da Ordem dos Frades Menores
feita no século XIV, foi uma das fontes medievais em que o frade é apresentando com um
caráter excessivo, como um louco. E também a Vida de Frei Junípero foi outra obra
referência para reconstrução do frade no conto de Eça de Queirós.
características caricaturizando seus excessos. A Crônica da Ordem dos Frades Menores
feita no século XIV, foi uma das fontes medievais em que o frade é apresentando com um
caráter excessivo, como um louco. E também a Vida de Frei Junípero foi outra obra
referência para reconstrução do frade no conto de Eça de Queirós.
Na obra queirosiana são enumeradas as virtudes evangélicas do frei, que são alteradas pela
mutilação do porco, evidenciando a gula do frade. Genebro, no entanto, se afasta da ideia de
que sua gula é pecado e parte para a realização do seu desejo, do qual Eça de Queirós
descreve de maneira grotesca, utilizando adjetivos pejorativos:
mutilação do porco, evidenciando a gula do frade. Genebro, no entanto, se afasta da ideia de
que sua gula é pecado e parte para a realização do seu desejo, do qual Eça de Queirós
descreve de maneira grotesca, utilizando adjetivos pejorativos:
“Surpreendeu um bacorinho desgarrado que forçava a bolota, desabou sobre ele,
e, enquanto lhe sufocava o focinho e os gritos, decepou, com dois golpes
certeiros do podão a perna por onde o agarrara.” (1997, pg.1537)
e, enquanto lhe sufocava o focinho e os gritos, decepou, com dois golpes
certeiros do podão a perna por onde o agarrara.” (1997, pg.1537)
A descrição violenta dá ao frade uma imagem voraz, na qual de maneira antagônica é
colocada suas virtudes em contradição com seu comportamento. Com uma morte que
evidencia uma moralidade cristã contrária ao texto medieval, em que o frade é perdoado.
No conto, a morte do porco anula todas as boas ações do frei. Transformando-o, ao final,
não em santo como é esperado convencionalmente, mas em pecador.
colocada suas virtudes em contradição com seu comportamento. Com uma morte que
evidencia uma moralidade cristã contrária ao texto medieval, em que o frade é perdoado.
No conto, a morte do porco anula todas as boas ações do frei. Transformando-o, ao final,
não em santo como é esperado convencionalmente, mas em pecador.
Assim, Eça de Queirós demonstra um combate aos excessos, apoiado, não na contenção, mas
na denúncia. Apresentando, por um lado, extraordinários feitos de forma objetiva e flagrante. Por
outro lado, de forma prodigiosa poética, fantasiosa e humorística as metáforas e construções de
imagem que dão às suas obras um êxito excepcional.
na denúncia. Apresentando, por um lado, extraordinários feitos de forma objetiva e flagrante. Por
outro lado, de forma prodigiosa poética, fantasiosa e humorística as metáforas e construções de
imagem que dão às suas obras um êxito excepcional.
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