domingo, 17 de maio de 2020

Angélica Freitas, na banheira, tomando banho com G. Stein

na banheira com gertrude stein 

gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertude 
stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como 
se alguém passasse um pano molhado na vidraça 
enorme de um edifício público 

gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar 
atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho 
de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas 
mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum 
debaixo d’água eu hein gertrude stein? não é possível 
que alguém goste tanto de fazer bolha 

e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba 
a toalha 

e sai correndo pelada a bunda enorme descendo 
a escada e ganhando as ruas de st.-germain-des-prés




Saiba mais sobre a vida ea obra de Gertrude Stein






a mulher dos outros 


fiquei muito tempo naquela banheira sem água 
pensando por que gertrude me havia deixado 

as unhas roxas os dedos enrugados naquele banheiro 
sem aquecimento num apartamento perto do jardin du 
luxembourg 

sem amor e sem toalha 

ela tem alice e basket eu sou a terceira excluída 

noutros tempos rilke me chamaria pro jardin des 
plantes 

hoje eu digo adeus e vou pra gare du nord 

lou andreas me espera em göttingen plantaremos beijos na 
gänseliesel 

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