sábado, 27 de julho de 2019

Encontro com o estrangeiro


Encontro com o estrangeiro. Um carro passa numa rua mal asfaltada que nem a palavra passa de poesia. Que fosse do rio até se formar atlântica, a menina que dorme com você. O canavial vão devorando. Plantou sua casa, pouco espaço é preciso. O homem a sete palmos será enterrado. E dessa cova sai uma voz. Encomenda um alto de natal. Severina, leite em pó é difícil defender com palavras da vida. Eu sou sua presença viva. Nunca imaginei esse rendimento, compreende, compreende, compreende. Dirige ao sentido. Pão, cadeira. Tristeza, melancolia. Doce de flor. Sem leite e estrita. Aceta, demonstra a explosão, como domar com mão serena. Traz escondida o extremo sem perfurar sua flor. Coisa diferente. Coisa. Denota sabor. Ontem, talvez hoje, recebi um recado: vovó no céu. Isso não quer dizer nada, não posso ir lá. Plantei minha casa. A menina batia a porta, antes apenas olhava em silêncio, como uma ladra. Apenas para ver o que eu fazia. Eu estava sentado no sofá olhando a parede branca e meu próprio reflexo. Ela, de repente bateu a porta. Eu olhei assustado e fui negligencia-la. Ela sorria, como uma escravizada. Você diz sim ao meu dote. Menti, eu não estava olhando meu reflexo em nada, estava pensando em você, em ontem à noite. Sorriu. Fácil de se enganar. Ela me oferecia leite, era em pó. Não havia vida, eu precisava de água. O leite era vermelho, ela vermelha também. Nos tocávamos, com precisão, sem pensar. Era possível e fácil tirar sua casca. Aquela máscara de cabelos lisos, uma mulher domável, uma foto com um chinelo virado, que sabor tem aquela curta imagem de gostos, quem se interessaria ao seu gosto? Um espelho de todos é exposto, você pode tocar ou não, pichar ou não. Entre o sim e o não, passos entre as pernas de um homem, espaço limitado o seu. Um caixão menor, por favor. Não há espaço para o seu corpo nesse cemitério, favor levá-lo ao centro de atendimento caixa. Aguarde lá, tem água sintética, chupe o resto de leite em pó que sai da sua companheira. Use seu seio como você usa o controle do seu jogo. Sabendo por exemplo que tudo acabe, uma traição seria algo geral, e por que eu me arriscaria? Porém, a possibilidade de escolher um guaraná gelado é uma dificuldade no ponto de ônibus, a estatística é muito boa só que é racional. Razão, de nada serve ao amor. Eu não escolhi e não estava preparado. Fechei a porta solidária. Não existe conexão afetiva e eu não escolho nada. Muito é muito ruim. Quebrei. Uma ostra diz: lala. Máxima brega enquanto dura, vale a pena. O canavial vão devorando. Uma luz no espírito, que espírito? Sem sal dos pesares. Acaba em batatas. Cinco pis, quebrada na rua, olho do céu ou do bueiro. E eu adoro olhar do espelho. Sem significar nada, mas sendo mais importante que tudo. O quesito ético dói na cabeça de um julgador. Egoísta martirizado na explicação. O fogo na pele branca, eu quero ver. Interativo categórico, calor. Carrega sua pessoa na sua pessoa, que pessoa personifica o que. Qual massa, qual bem-estar. Entrei pela porta solidária. Queria ser única. Mas você, aceitava qualquer ruim que se mostrava. Com o tempo percebi. E deixei que os nossos sapatos resolvessem por mim. Cada pessoa que passava, cada sapato sob ela me dizia algo. E assim percebi. Meu corpo é uma porta solidária, e os sapatos que passam apenas passam para assim dar lugar a outros. O exaustivo ciclo de nascer e morrer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário