
"a mãe dos mares assassinou meu ilê de luz.
não culpo mãezinha
nem sequer a sedução do poeta.
pois que lá no fundo
poeta não é poeta
poeta só é
e poeta sempre quis ser.
o poeta morreu para pisar enfim
o chão que sempre eu quis,
na tangente do mundo."
Alavenca Esfinge devora quem não consegue decifrá-lo.
Livro escrito pela Sophia Faustino, nascida em fim ou início de ano. Teve sua primeira obra feita sob signo do enigma, Alavenca Esfinge, de nascimento em plena primavera, três de outubro de dois mil e dezenove. Assim como a autora, que teve sua hora em dia de fim e começo: Alavenca foi lançado em dia de término de libra e inicial de escorpião.
Perpassa os caminhos das palavras desde a forte poesia não escrita brasileira e o seu "rasgar a pele" para o nascimento de uma poesia escrita, até o caminhar entre os espaços abertos pelos poetas já mortos. Há águas de fontes passadas ressoando as poesias de Sophia, que desembocam em fogo, em brasa de grande ardência.
De um quartzo rosa, às pedras no meio do caminho do interior de quem escreve e lê, Sophia nos carrega em diversas referências que viram uma brincadeira de entender de qual lugar veio o que ali nos está dado.
Os quatro elementos transbordam as páginas em paixões juvenis, como a ambição de mudanças no mundo, com uma certa resistência às paixões ilimitadas em " que dê adeus ao meus mares pois que não transbordo mais" retratando a vida como uma grande festa, que te leva pela mão numa enxurrada sem muita esperança. As palavras de ordem não fazem sentido e a dúvida entre pertencer ou não às forças da massa ou à simplicidade e velharia de um sofá de veludo gasto pela luz do sol.
Com certa resistência às imagens de terror que assombram a humanidade, a afirmação de que depois do holocausto não há poesia que se preze, uma negação à revolta e aceitação da inutilidade do lirismo, que se parece mais como um "anjo meigo e violento" no qual pode se ver a "queda meteórica até o solo".
Impregnada de animismos, a natureza se faz corpo e sentido até nos seus cisquinhos. E se pode aprender com Alavenca Esfinge a ser e conhecer um tiquinho do amor.
Assim como Safo, há poemas feitos muito próximos de serem cantados perto de uma lira. E há também os sáficos, já gastos pelo uso, que seriam melhor já terem nascido sem ter aquilo que futuramente vão perder.
Assim como Safo, há poemas feitos muito próximos de serem cantados perto de uma lira. E há também os sáficos, já gastos pelo uso, que seriam melhor já terem nascido sem ter aquilo que futuramente vão perder.
De um "sujeito estranho e desregrado" e as lágrimas sempre seguradas nos olhos ou em cascatas de "plágios sem vergonha" há canções nas vozes de Gal Costa, Maria Bethania, Roberto Carlos, Caetano Veloso permeando as bordinhas dos versos. Sem contar os tais dos literatos e os zumbidos de um inseto dentro do vagão de um trem que fazem arder, entre as pernas também, todo o conjunto de poemas de Alavenca Esfinge.
18 de Dezembro de 2019,
Gabriela Guimarães.
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