sábado, 4 de abril de 2020

Hidra

O que a água me deu, Frida Kahlo.


















I
Nunca podemos nos perder nas ruas
incertos se aproximam.

Nunca podemos conhecer as ruas
caminhos sinuosos, passos apressados

Nunca podemos olhar profundamente a íris
do passado restaram apenas sete minutos de hipnose
feita pelo registro da mão: o tempo desse poema.

Nunca andei lentamente por ruas
Para pensar as proporções das construções humanas
e meu pertencimento nelas cada vez mais para cima.

Nunca me perdi por ruas
Os labirintos sequestram a percepção e contornam as sombras.
Nelas, os sorrisos humanos não são visíveis

Nunca caminhei sozinha pelas ruas
Sair do tempo dos homens
a paz de quem sonha.

II
Sentia como se o relógio caminhasse tão lento
quanto eu
Da Janela
Da banheira
Um corpo boiando
sem medo ou receio
do tempo lento
da água parada.

III
Entrar na rua pelo corpo. Pelo coração, primeiramente. De maneira sincera. A intimidade tem uma dimensão capaz de isolar pontos de vistas. Desarranjar as partes de um, do outro. É suficientemente arte, a possibilidade de se envolver.
Falar do corpo é muito.
De quarentena, tire sua calcinha.


Texto publicado no projeto Hidra Literária, um jogo literário entre um grupo de escritores. A regra da brincadeira consiste em apenas uma: o texto seguinte sempre precisa ter alguma ligação, inspiração, com o anterior.

https://www.instagram.com/hidraliteraria/

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