
A epopeia constitui a aspiração máxima do poeta, caracteriza-se por narrar um grande
feito da história de um povo, por meio da imitação daquilo que a antiguidade criou de
mais sublime. Sendo epo discurso e poien fazer, a epopeia, portanto, é o fazer, o cantar
discurso. E possui uma série de requisitos que lhe condicionam a estrutura, o estilo e a
própria concepção da abertura do poema até a utilização da mitologia e as profecias
anunciadoras do futuro. Em geral, impõe um tom grandioso, solene e eloquente.
feito da história de um povo, por meio da imitação daquilo que a antiguidade criou de
mais sublime. Sendo epo discurso e poien fazer, a epopeia, portanto, é o fazer, o cantar
discurso. E possui uma série de requisitos que lhe condicionam a estrutura, o estilo e a
própria concepção da abertura do poema até a utilização da mitologia e as profecias
anunciadoras do futuro. Em geral, impõe um tom grandioso, solene e eloquente.
Tendo em vista que, durante a antiguidade, a prática de emular era louvável. Camões
compromete como modelo Homero, Virgílio e Ovídio e se apropria de características
estruturais da epopeia, são elas: 1.Proposição, 2.Invocação, 3.Dedicatória, 4.Narração
e 5.Epílogo.
compromete como modelo Homero, Virgílio e Ovídio e se apropria de características
estruturais da epopeia, são elas: 1.Proposição, 2.Invocação, 3.Dedicatória, 4.Narração
e 5.Epílogo.
Na Proposição é apresentado o assunto do poema e assinalado os objetos da epopéia:
os conquistadores, os reis e os demais varões portugueses. Os quais, todos valeram-se
de esforço e bravura suficientes para a imortalidade.
os conquistadores, os reis e os demais varões portugueses. Os quais, todos valeram-se
de esforço e bravura suficientes para a imortalidade.
Na Invocação o poeta recusa as musas antigas e invoca as divindades nacionais, as
Tágides. Contudo, Vasco da Gama, no Canto III, inspira-se em Calíope, musa da poesia
épica grega e Camões postula seu novo engenho e a faculdade de efetuar um canto cuja
sublimidade alcança o preço do feito que se dispõe divulgar.
Tágides. Contudo, Vasco da Gama, no Canto III, inspira-se em Calíope, musa da poesia
épica grega e Camões postula seu novo engenho e a faculdade de efetuar um canto cuja
sublimidade alcança o preço do feito que se dispõe divulgar.
Na Dedicatória, o poema é oferecido ao rei D. Sebastião. Na Narração, o poeta inicia
com os portugueses navegando no Índico e discorre sobre as outras ações que
permeiam o poema. Essa construção comprova o seguimento das regras clássicas, o
decoro, já estabelecido pelo gênero.
com os portugueses navegando no Índico e discorre sobre as outras ações que
permeiam o poema. Essa construção comprova o seguimento das regras clássicas, o
decoro, já estabelecido pelo gênero.
Camões adota como título da sua epopeia a forma derivada de Lusus (Luso) mediante
o sufixo grego iades (descendente) e, assim, Os Lusíadas significa etimologicamente
descendentes de Luso, sendo sinônimo de Lusitani (Lusitanos), isto é, Portugueses.
o sufixo grego iades (descendente) e, assim, Os Lusíadas significa etimologicamente
descendentes de Luso, sendo sinônimo de Lusitani (Lusitanos), isto é, Portugueses.
Como principal modelo para sua obra, Camões utiliza a Eneida de Virgílio, a qual é
possível estabelecer diversas intertextualidades, inclusive no primeiro verso das obras.
“As armas e o barões assinalados” é a forma inicial de Luís de Camões em sua
epopeia, enquanto: “Arma uirumque cano” é a forma como Virgílio inicia Eneida séculos
antes. Há, evidentemente, diferenças nos objetos a que se propõe narrar as epopeias.
Por exemplo, Eneias prefigura o herói da Pax Romana, Augusto. Já o poeta latino
celebra exércitos, batalhas, dando lugar do herói individual da antiguidade romana ao
herói coletivo, pretendendo ousar ainda mais daqueles todos que toma como modelo.
possível estabelecer diversas intertextualidades, inclusive no primeiro verso das obras.
“As armas e o barões assinalados” é a forma inicial de Luís de Camões em sua
epopeia, enquanto: “Arma uirumque cano” é a forma como Virgílio inicia Eneida séculos
antes. Há, evidentemente, diferenças nos objetos a que se propõe narrar as epopeias.
Por exemplo, Eneias prefigura o herói da Pax Romana, Augusto. Já o poeta latino
celebra exércitos, batalhas, dando lugar do herói individual da antiguidade romana ao
herói coletivo, pretendendo ousar ainda mais daqueles todos que toma como modelo.
Interessante notar que V.M. Aguiar e Silva repara que a primeira edição de Os Lusíadas
não possui textos paratextuais que eram comuns à época, essa falta de um paratexto,
para alguns apontaria a pobreza de relações do poeta no meio literário, para outros um
orgulho de Camões suficiente para dispensar apresentações. (Silva V. 2011)
não possui textos paratextuais que eram comuns à época, essa falta de um paratexto,
para alguns apontaria a pobreza de relações do poeta no meio literário, para outros um
orgulho de Camões suficiente para dispensar apresentações. (Silva V. 2011)
Além disso, é possível questionar a licença de Frei Bartolomeu Ferreira e o alvará do rei
que revela a concessão das passagens eróticas, dos deuses pagãos e das críticas
políticas pelos censores da Inquisição e do Paço.
que revela a concessão das passagens eróticas, dos deuses pagãos e das críticas
políticas pelos censores da Inquisição e do Paço.
Os feitos portugueses foram tamanhos que exigiam um tratamento literário também
excecional, a epopeia tratava-se de um gênero no alto da hierarquia literária, um gênero
sublime e fortemente codificado, com versos de onze sílabas e a variação entre versos
sáficos e heróicos.
excecional, a epopeia tratava-se de um gênero no alto da hierarquia literária, um gênero
sublime e fortemente codificado, com versos de onze sílabas e a variação entre versos
sáficos e heróicos.
A evocação à musas e a presença de seres mitológicos; a narração in media res, ou
seja, uma narração iniciada pelo meio da ação, são características que formam o decoro
do gênero. Em Os Lusíadas, há uma viagem para o mar como simbologia para o
descobrimento. Camões elege Vasco da Gama como representante de todos os
componentes do “peito ilustre lusitano”- reis, heróis e povo português.
seja, uma narração iniciada pelo meio da ação, são características que formam o decoro
do gênero. Em Os Lusíadas, há uma viagem para o mar como simbologia para o
descobrimento. Camões elege Vasco da Gama como representante de todos os
componentes do “peito ilustre lusitano”- reis, heróis e povo português.
Logo, no início do primeiro canto, a narrativa se compõe com a armada portuguesa na
ilha de Moçambique e as apropriações de referências mitológicas gregas ao negá-las e
adiante, no terceiro canto, ao invocar Calíope, a musa da poesia de Homero, e o concílio
dos deuses, retratando os sussurros entre os deuses e suas opiniões. Também, no
decorrer da obra, Camões invoca as Tágides, criadas para se referir ao rio Tejo,
travando um embate entre os feitos passados e as outras épicas, entre o antigo e novo
engenho; as Nereides fecham o caminho à armada portuguesa, frente a Mombaça, para
as livrarem de cair em perigo; a tempestade é sustida por ação das Ninfas. E, fora do
universo mitológico, Maria desempenha um papel ativo na superação de um conflito.
ilha de Moçambique e as apropriações de referências mitológicas gregas ao negá-las e
adiante, no terceiro canto, ao invocar Calíope, a musa da poesia de Homero, e o concílio
dos deuses, retratando os sussurros entre os deuses e suas opiniões. Também, no
decorrer da obra, Camões invoca as Tágides, criadas para se referir ao rio Tejo,
travando um embate entre os feitos passados e as outras épicas, entre o antigo e novo
engenho; as Nereides fecham o caminho à armada portuguesa, frente a Mombaça, para
as livrarem de cair em perigo; a tempestade é sustida por ação das Ninfas. E, fora do
universo mitológico, Maria desempenha um papel ativo na superação de um conflito.
Os corajosos portugueses, para Camões, precisavam que seus feitos fossem narrados
e inseridos nas letras, para que realmente pudessem se tornar emblemáticos. Imbuído
de um valor nacional, Camões clama as batalhas portuguesas contra os Mouros, e não
somente, mas também eleva os reis como representantes e líderes de um grande feito
político e cristão.
e inseridos nas letras, para que realmente pudessem se tornar emblemáticos. Imbuído
de um valor nacional, Camões clama as batalhas portuguesas contra os Mouros, e não
somente, mas também eleva os reis como representantes e líderes de um grande feito
político e cristão.
É possível relacionar Os Lusíadas com grandes cronistas, como Duarte Galvão e Fernão
Lopes, pois os fatos das crônicas e os fatos da epopeia não apresentam grandes
divergências, o que dá aos Lusíadas uma característica que o difere de outras epopeias:
o seu caráter de verossimilhança.
Lopes, pois os fatos das crônicas e os fatos da epopeia não apresentam grandes
divergências, o que dá aos Lusíadas uma característica que o difere de outras epopeias:
o seu caráter de verossimilhança.
No limite quase inverossímil do que se admitiria em um discurso de louvor, Camões
expõe o atrito entre o herói e o poeta. Pois, é dito a despeito de Portugal gerar grandes
capitães, capazes de grandes feitos, porém, faltar-lhes o engenho, a ciência, a arte, a
eloquência e essa falta os impede de reconhecer o verdadeiro valor dos poetas.
expõe o atrito entre o herói e o poeta. Pois, é dito a despeito de Portugal gerar grandes
capitães, capazes de grandes feitos, porém, faltar-lhes o engenho, a ciência, a arte, a
eloquência e essa falta os impede de reconhecer o verdadeiro valor dos poetas.
Camões, além de exaltar o feito português, também apresenta as imoralidades e as
injustiças cometidas, principalmente com a desvalorização das letras pelo povo
português e também aos reis portugueses. É possível perceber o estilo que passa de
sublime para o baixo em tom de denúncia, quando o não reconhecimento do engenho
insinua a debilidade do herói, não bastando a feição imortal do canto, mas também a
correção moral e jurídica. Neste ponto o gênero epidítico confunde-se com o judiciário
com a incubência de distinguir o falso herói do verdadeiro. Eis um trecho que exemplifica:
injustiças cometidas, principalmente com a desvalorização das letras pelo povo
português e também aos reis portugueses. É possível perceber o estilo que passa de
sublime para o baixo em tom de denúncia, quando o não reconhecimento do engenho
insinua a debilidade do herói, não bastando a feição imortal do canto, mas também a
correção moral e jurídica. Neste ponto o gênero epidítico confunde-se com o judiciário
com a incubência de distinguir o falso herói do verdadeiro. Eis um trecho que exemplifica:
“Nem creiais, Ninfas, não, que fama desse
A quem ao bem comum e do seu Rei
Antepuser seu próprio interesse,
Imigo da divina e humana Lei.
Nenhum ambicioso que quisesse
Subir a grandes cargos, cantarei,
Só por poder com torpes exercícios
Usar mais largamente dos seus vícios;”(VII,84-87)
As armas apenas, sem a companhia das letras significavam mais que a falta ou perda
da arte. Significava a impossibilidade de continuidade dos feitos grandiosos. O não
reconhecimento do engenho insinuava a debilidade do herói. O poema não apresenta
em si apenas bravura, mas também separa as injustiças cometidas aos portugueses,
não louva apenas o feito que é passado, mas também o corrige. Assim o louvor se faz
por exclusão, distinção do falso para o verdadeiro herói, o que torna a epopeia sublime
como uma conjectura da bravura das armas e das letras.
da arte. Significava a impossibilidade de continuidade dos feitos grandiosos. O não
reconhecimento do engenho insinuava a debilidade do herói. O poema não apresenta
em si apenas bravura, mas também separa as injustiças cometidas aos portugueses,
não louva apenas o feito que é passado, mas também o corrige. Assim o louvor se faz
por exclusão, distinção do falso para o verdadeiro herói, o que torna a epopeia sublime
como uma conjectura da bravura das armas e das letras.
No episódio do canto A Ilha dos Amores, do qual os versos são em sua grande maioria
sáficos e não heróicos. Há uma singular importância, devido ao fato de narrar não só
uma passagem da viagem simbólica, mas o momento erótico em que Vênus, deusa que
guiava os portugueses, marcou o encontro visto como a recompensa pela expedição.
sáficos e não heróicos. Há uma singular importância, devido ao fato de narrar não só
uma passagem da viagem simbólica, mas o momento erótico em que Vênus, deusa que
guiava os portugueses, marcou o encontro visto como a recompensa pela expedição.
As primeiras estrofes do canto IX, apresentam o plano dos Mouros de deter na Índia os
Portugueses para destruí-los. No entanto, Vasco da Gama, logo regressa às naus e parte
levando consigo especiarias sem que os Mouros consigam atacar os Portugueses. Com
auxílio do cupido, Vênus leva os lusitanos até a ilha dos Amores, onde ocorre o noivado
de Vasco da Gama com Tétis e a união dos navegantes com as Nereidas,
configurando-se em uma passagem erótica da epopeia.
Portugueses para destruí-los. No entanto, Vasco da Gama, logo regressa às naus e parte
levando consigo especiarias sem que os Mouros consigam atacar os Portugueses. Com
auxílio do cupido, Vênus leva os lusitanos até a ilha dos Amores, onde ocorre o noivado
de Vasco da Gama com Tétis e a união dos navegantes com as Nereidas,
configurando-se em uma passagem erótica da epopeia.
A singular relevância do episódio tornou-o como a parte proibida de Os Lusíadas. Na
estrutura da epopeia, esse trecho tem a função de dar um caráter utópico ao texto com a
descrição de amores eróticos e também relatos sobre as inversões de valores, as quais
os homens amam coisas que lhes foram dadas não para serem amadas e sim usadas.
Portanto, reduzir o canto IX, apenas ao trecho amoroso é excluir a relevância dos temas
primeiros em que Camões expõe vícios cometidos pela humanidade.
estrutura da epopeia, esse trecho tem a função de dar um caráter utópico ao texto com a
descrição de amores eróticos e também relatos sobre as inversões de valores, as quais
os homens amam coisas que lhes foram dadas não para serem amadas e sim usadas.
Portanto, reduzir o canto IX, apenas ao trecho amoroso é excluir a relevância dos temas
primeiros em que Camões expõe vícios cometidos pela humanidade.
Outra leitura, pouco interessante para embasamentos literários são as tentativas de
tentar descobrir onde se encontra a ilha, se ela é verdadeira ou não, isso torna a leitura
descabida em relação à teoria literária. Para Vitor Aguiar e Silva, uma “falácia biogra-
fista” são as tentativas de descobrir geograficamente onde se encontra a ilha. Pois, a
poesia durante a Idade Média, configurava em ficção, mesmo não tendo sido
concebida sobre os preceitos literários criados a partir do século XIX.
tentar descobrir onde se encontra a ilha, se ela é verdadeira ou não, isso torna a leitura
descabida em relação à teoria literária. Para Vitor Aguiar e Silva, uma “falácia biogra-
fista” são as tentativas de descobrir geograficamente onde se encontra a ilha. Pois, a
poesia durante a Idade Média, configurava em ficção, mesmo não tendo sido
concebida sobre os preceitos literários criados a partir do século XIX.
A entrega dos navegantes às ninfas é marcada como uma recompensa e uma voz
paradigmática para o desconcerto do mundo, a divinização do céu encontrado na ilha
dos amores retrata o justo prêmio dado aos heróis lusitanos. Representa na ordem
do conhecimento, o grande clímax. Tétis revela que ali, na ilha dos amores,
a nação portuguesa é desvendada aos segredos do mundo.
paradigmática para o desconcerto do mundo, a divinização do céu encontrado na ilha
dos amores retrata o justo prêmio dado aos heróis lusitanos. Representa na ordem
do conhecimento, o grande clímax. Tétis revela que ali, na ilha dos amores,
a nação portuguesa é desvendada aos segredos do mundo.
Ao subirem o monte, símbolo do esforço feito para se chegar ao conhecimento, pode se
afirmar que o episódio amoroso não é só um relato afetuoso, mas também uma fuga da
angústia gerada pelo desconcerto do mundo. Camões constrói figurações que clamam o
presente e futuro do seu mundo. O lugar mimético da obra de Camões revela esse
artifício inventivo da construção de uma máquina, designando o engenho poético,
mimético e prescritivo, marcado por regras retóricas pré-estabelecidas pelo tempo de
Camões.
afirmar que o episódio amoroso não é só um relato afetuoso, mas também uma fuga da
angústia gerada pelo desconcerto do mundo. Camões constrói figurações que clamam o
presente e futuro do seu mundo. O lugar mimético da obra de Camões revela esse
artifício inventivo da construção de uma máquina, designando o engenho poético,
mimético e prescritivo, marcado por regras retóricas pré-estabelecidas pelo tempo de
Camões.
Tétis, no momento em que se mostra a máquina do mundo faz no monte a descrição do
universo, e coloca em evidência o desejo de expansão ultramarina, traçando o mundo
português múltiplo e diverso a um só rumo alinhado à unidade de sentido. Refere-se a
várias regiões da terra, inclusive menciona a América e o Brasil:
universo, e coloca em evidência o desejo de expansão ultramarina, traçando o mundo
português múltiplo e diverso a um só rumo alinhado à unidade de sentido. Refere-se a
várias regiões da terra, inclusive menciona a América e o Brasil:
“Mas cá onde mais se alarga, ali tereis
Parte também, co pau vermelho nota;
De Santa Cruz o nome lhe poreis;
Descobri-la-á a primeira vossa frota. “ (X,140)
Como o mar era tranquilo a Deusa diz que podem continuar a viagem sem perigos e
ainda descreve o momento em que ocorre o naufrágio, o qual supostamente Camões
deixou morrer Dinamene. Portanto, o episódio narra muitas significações, a comida e o
sexo que os portugueses recebem representam a vida material antes da divinização das
almas dos heróis lusitanos e a união com as ninfas possui o laço de portugal com o
desejo de desbravamento e a permissão divina para isso. Ao verem a máquina, que é
para Hansen, “uma síntese do mundo poético de Camões” um artifício do engenho divino,
que faz o intelecto humano sair da aspiração do ideal para o auge do conhecimento
intelectual e a instituição do ser. Assim, Tétis diz e mostra o universo para Vasco da
Gama como uma visão que determina esferas que vão ao metafísico.
ainda descreve o momento em que ocorre o naufrágio, o qual supostamente Camões
deixou morrer Dinamene. Portanto, o episódio narra muitas significações, a comida e o
sexo que os portugueses recebem representam a vida material antes da divinização das
almas dos heróis lusitanos e a união com as ninfas possui o laço de portugal com o
desejo de desbravamento e a permissão divina para isso. Ao verem a máquina, que é
para Hansen, “uma síntese do mundo poético de Camões” um artifício do engenho divino,
que faz o intelecto humano sair da aspiração do ideal para o auge do conhecimento
intelectual e a instituição do ser. Assim, Tétis diz e mostra o universo para Vasco da
Gama como uma visão que determina esferas que vão ao metafísico.
No canto X, ocorre a última invocação às musas, após revelar os acontecimentos futuros
que a viagem de Vasco da Gama abrira aos portugueses. Ao fim dos feitos é produzida
uma espécie de anti-invocação, na qual Camões implora à musa que o deixe, pois está
exausto.
que a viagem de Vasco da Gama abrira aos portugueses. Ao fim dos feitos é produzida
uma espécie de anti-invocação, na qual Camões implora à musa que o deixe, pois está
exausto.
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